Relógio como agente de viagem

Parte 1: Planejamento & reservas

Descobertas, planejamento e reservas de viagens na década de 2020

Relógio como agente de viagem

Em uma década,

todos os viajantes terão à sua disposição uma impressionante variedade de tecnologias digitais de próxima geração que transformarão a descoberta, o planejamento e a reserva das suas próximas viagens em uma experiência intuitiva perfeita.

Como explica Gareth Williams, CEO e co-fundador do Skyscanner:

"Fazer pesquisas e reservas de viagens será tão fácil como comprar um livro na Amazon."

Na primeira seção do relatório Skyscanner Viagens no Futuro, que está dividido em três partes, iremos descobrir e analisar os avanços na tecnologia inteligente de uso corporal, através de dispositivos que podem ser vestidos; na realidade virtual; nos sites sensoriais, que utilizam-se do tato do usuário para gerar um feedback tátil; através de mecanismos de pesquisa semântica, que nossos especialistas e investigadores antecipam que revolucionarão a perspectiva das viagens em 2024.

Relógio como agente de viagem

Parceiros de Viagem Digitais

Foi-se o tempo

em que TOM tinha que passar horas online pesquisando e criando diversas combinações possíveis, em dezenas de sites, para comparar preços de voos, hotéis e aluguel de automóveis.

Entre os anos 2000 e 2009, uma variedade de sites de busca e comparação de preços foram criados para facilitar o planejamento e reserva de viagens; porém, em 2024, nosso viajante terá um novo amigo que facilitará ainda mais a descoberta, pesquisa e reserva de viagens: o seu Parceiro de Viagem Digital.

O futurista global Daniel Burrus, autor de "Technotrends: Como usar a Tecnologia para passar à Frente de seus Concorrentes," explica melhor a natureza do companheiro de alta tecnologia que o viajante terá às suas ordens.

"Na década de 2020, cada um de nós terá um 'e-agent' (agente eletrônico) que irá conosco para todos os lados, dentro de um relógio ou de uma pequena joia ou bijuteria," afirma.

"Trata-se essencialmente de um dispositivo de inteligência artificial, permanentemente conectado à internet, com capacidade de compreender intimamente nossas preferências individuais.

"Poderá ter o rosto, a voz e a personalidade do nosso ator ou comediante preferido e aparecerá para nós como um holograma em 3D ou em um ambiente virtual, através de comandos verbais.

"Ele será responsável por personalizar todas as nossas experiências de viagem, criar roteiros com base em nossas preferências específicas e servir como guia turístico, contando histórias e mencionando temas que sabe ser do nosso interesse.

"Empresas de viagens poderão alugar um 'e-agent' personalizado para seus clientes, como parte integrante do pacote de férias escolhido. Os clientes poderão interagir continuamente com sua agência de viagens para adaptar as viagens em tempo real e solucionar eventuais problemas que apareçam."

TOM é apresentado a uma seleção de atividades de férias

O Parceiro de Viagem Digital do TOM, nosso viajante do milênio, terá tido origem em tecnologias emergentes nos dias de hoje.

Desti, um aplicativo de viagens de conversação da SRI International, instituto de pesquisa que desenvolveu o sistema Siri da Apple, faz parte desta nova linha que está mostrando o caminho para um mundo onde nossos dispositivos móveis aprenderão nossos hábitos e preferências, de acordo com suas interações conosco.

O aplicativo pode encontrar críticas e comentários online de viagens relacionadas, com base nas preferências de pesquisas realizadas anteriormente pelo usuário. Por exemplo, uma família de viajantes que tenha crianças pequenas poderá receber sugestões relacionadas a uma seleção de hotéis que disponham de atividades para crianças e adultos.

Outras marcas de tecnologia estão desenvolvendo dispositivos interativos que se parecem mais com amigos do que com máquinas. O sistema SAMI de inteligência artificial da Samsung irá monitorar automaticamente o estilo de vida e a saúde de seu usuário, associando os resultados com dados agregados por 1,5 trilhões de smartphones com sensores, dispositivos de uso corporal ou outros dispositivos inteligentes que existirão até 2020, de acordo com Luc Julia, diretor do projeto.

Também estão sendo desenvolvidos dispositivos móveis que podem reproduzir a fala e compreender nossas respostas verbais e até nossas expressões faciais. A Microsoft desenvolveu o Cortana, um assistente pessoal ativado por voz que agirá como uma interface com características humanas para todas as funções de e-mail e busca da empresa.

TOM interagindo com seu Parceiro de Viagem Digital

"O sistema será profundamente personalizado, com base na inteligência avançada e quase mágica da nossa nuvem, que aprende cada vez mais sobre as pessoas e o mundo com o passar do tempo," afirma Steve Ballmer, antigo CEO e atual Diretor da Microsoft.

E o mais importante, ao analisar nossas pesquisas online e cruzá-las com temas como comida, viagens e hotéis, o sistema usará algoritmos preditivos para oferecer sugestões originais adaptadas à nossa faixa de preço e necessidades pessoais, e se normalmente preferimos uma viagem relaxante ou férias mais agitadas.

O co-fundador do Laboratório do Futuro afirma: "Estamos acostumados a receber sugestões de produtos da Amazon ou do Google. Em breve, este tipo de software preditivo irá agregar experiências de viagens detalhadas e personalizadas, como nosso agente digital personalizado".

"Considerando por exemplo a grande quantidade de dados pessoais que publicamos sobre nós mesmos em redes sociais como o Facebook, Twitter, Mixi, SinaWeibo, Cyworld, Kaixin001, Orkut, Vine e Instagram, o sistema apresentará roteiros pessoais surpreendentes, incluindo viagens centradas em comidas exóticas e até visitas guiadas a bairros onde é provável que você encontre pessoas com os mesmos interesses em relação a comida, bebida e convívio social."

O passo em direção à chegada do Parceiro de Viagem Digital já foi dado: a empresa russa i-Free criou um sistema de inteligência artificial que reconhece perguntas e fornece respostas verbais adequadas em segundos, permitindo que Frank, o bio-robô da marca, consiga manter conversas sequenciais e significativas.

A câmera 3D RealSense da Intel é um exemplo do tipo de tecnologia que os dispositivos de viagem usarão na década de 2020 para reconhecer e reagir às emoções humanas. A câmera está sendo criada para determinar o humor de seus usuários de acordo com suas expressões faciais e linguagem corporal, e para compreender e reagir a comandos coloquiais.

A própria Unidade de Inteligência Artificial do Facebook, lançada em outubro de 2013, também está trabalhando para criar um sistema de reconhecimento de voz inteligente. "O objetivo é utilizar novas abordagens à inteligência artificial para nos ajudar a entender todos os conteúdos que as pessoas compartilham, para que possamos gerar novas perspectivas sobre o mundo e responder algumas perguntas" afirma o CEO Mark Zuckerberg.

"Em algum tempo, acredito que será possível criar serviços com uma interação mais natural e que ajudem a resolver muito mais problemas do que qualquer outra tecnologia existente no momento", diz ele.

À medida que os sistemas de software convergem para criar uma entidade virtual que fala e aprende, criando a "mente" do nosso Parceiro de Viagem Digital, há também uma variedade de equipamentos interconectados e miniaturizados de uso corporal que servirão como seu "corpo".

A primeira geração deste tipo de dispositivo já está ganhando espaço no mercado. As vendas anuais de tecnologia de uso corporal como relógios de pulso com funcionalidades de smartphone, incluindo o Smartwatch da Sony e o Samsung Galaxy, atingirão 485 milhões de unidades até 2018, de acordo com uma pesquisa da empresa ABI Research.

O Google venderá 6,6 milhões de unidades por ano do Google Glass, os óculos inteligentes com câmera, até 2016, quando a tecnologia chegará ao mercado de massa, segundo a IMS Research.

No entanto, na década de 2020, os dispositivos de uso corporal serão ainda menores e mais rápidos, com diversas funcionalidades adicionais, proporcionando a tecnologia necessária para tornar o Parceiro de Viagem Digital uma realidade prática.

TOM andando de bicicleta com uma câmera anexada à seu capacete

Até o ano de 2017, usaremos dispositivos corporais ativados por microchips de apenas sete nanômetros de comprimento – a largura de 15 a 20 átomos – que irão "transformar todas as áreas de nossas vidas," de acordo com Renée James, Presidente da Intel.

Segundo Raymond, "a miniaturização da tecnologia abrirá um novo mundo de possibilidades à medida que a tecnologia de uso corporal seja combinada com tecnologias praticamente invisíveis. Atualmente, vários pais já utilizam rastreadores para monitorar seus filhos - através de dispositivos telefônicos que indicam sua localização geográfica e até etiquetas que podem ser fixadas na roupa ou sob a pele. Acrescente a isso uma tecnologia que libera aromas individuais de um produto onde você esperaria encontrá-los, como o cheiro de couro vindo do calcanhar de um sapato novo ou do interior de uma bolsa comprada no Duty Free, e você começará a entender porque experiências secretas na área dos aromas virtuais, que acontecem na Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio, são de grande interesse para pesquisadores que procuram tornar a experiência de compras virtuais em uma experiência mais prazerosa e surpreendente no futuro."

A habilidade de ver o destino do ponto de vista de outra pessoa, o chamado "turismo de controle remoto", tem se tornado uma opção cada vez mais popular em cidades como Melbourne. Nessas viagens, turistas e guias turísticos especiais usam câmeras instaladas em capacetes, enquanto usuários sugerem locais para a próxima caminhada ou passeio de bicicleta, diretamente de suas casas. "Embora não seja exatamente o mesmo", diz Raymond, "é possível imaginar como as tecnologias instaláveis e de uso corporal serão utilizadas no futuro."

Rumores indicam que a Apple estaria desenvolvendo um relógio inteligente de próxima geração, supostamente chamado de iWatch, que teria visores holográficos 3D, acesso à internet, e que também poderia projetar paisagens urbanas, a topografia de um terreno, versões em 3D de uma caminhada pelo bairro ou o caminho mais rápido dentro de um aeroporto, tudo na ponta dos dedos.

Lentes de contato

A tendência de miniaturização dos dispositivos móveis ganhará impulso com os avanços atuais, como os circuitos dobráveis microscópicos desenvolvidos pelo Instituto Federal Suíço de Tecnologia

com 1/60 da espessura de um fio de cabelo humano e implantáveis em uma lente de contato

que chegarão ao mercado de massa até o final desta década. Tudo isso facilitará o acesso e o transporte dos dispositivos de uso corporal, ou bodyTECH, também chamados de buddyTech (amigo tech).

Lentes de contato

Alistair Hann, Diretor de Tecnologia do Skyscanner, prevê que o aparecimento do Parceiro de Viagem Digital modifique não só a forma como os viajantes planejam e reservam suas viagens, mas também a própria experiência de viagem.

"Imagine usar um dispositivo que forneça uma tradução verbal simultânea daquilo que seu taxista está dizendo em chinês", propõe ele.

"Ou um dispositivo que seja capaz de traduzir o cardápio do restaurante de russo para inglês em segundos? As possibilidades destas tecnologias são infinitas. Subitamente, viajar não será mais motivo para qualquer tipo de receio."

Frequentemente temos anúncios com previsões de surgimento de tecnologias totalmente inovadoras, mas cujas datas de lançamento nos projetam para um futuro ainda distante.

Contudo, o Dr Ian Yeoman, Futurologista de Viagens e Professor Associado da disciplina de Futuro do Turismo, na Victoria University de Wellington, acredita que os dispositivos de uso corporal avançados chegarão ao mercado consumidor até o final desta década.

"Avanços como o Google Glass chegarão ao mercado de massa no período de 18 meses. Em cinco anos, tudo o que o Google Glass consegue fazer agora estará disponível em uma lente de contato", afirma ele.

Fish
TOM sentado junto ao lago

O virtual torna-se real

Em 2024, um simples comando verbal faz com que TOM inicie sua jornada de busca por viagens do conforto de sua própria cama. "Preciso mesmo de férias" confessa ele, colocando seu Parceiro de Viagem Digital em ação no seu lugar.

Seu dispositivo de uso corporal de inteligência artificial está conectado a uma nova geração de sites que permitem "experimentar antes de comprar" e são operados por diversas empresas de viagens. Ele retorna com uma variedade de amostras de realidade virtual que permitem que nosso viajante aprecie as vistas, ouça os sons e até sinta a paisagem, entre uma variedade de experiências de viagens diferentes.

Sua sensação de antecipação e entusiasmo será despertada por um passeio 3D multissensorial em uma praia ensolarada na Costa Rica, um passeio a pé por um caminho coberto de neve no topo dos Andes ou um mergulho em um recife de corais.

Monkey
Vistas da floresta experimentada através de um dispositivo de realidade virtual

"A realidade virtual não irá substituir as viagens reais, como é frequentemente retratado nos filmes de ficção científica", afirma Daniel Burrus.

"Ela se tornará uma nova forma de apresentação, uma incrível amostra 3D de um destino que fará com que os viajantes anseiem por viver a experiência na vida real".

A tecnologia para transformar esta visão futura em realidade já está sendo desenvolvida e testada nos dias de hoje. Uma ferramenta CGI desenvolvida pela empresa de tecnologia 3RD Planet permite que os usuários façam uma caminhada incrivelmente realista pelas ruas de uma cidade.

Uma equipe de pesquisa da Universidade da Carolina do Norte recriou em realidade virtual uma cena de 1622 no exterior da St Paul’s Cathedral, em Londres, que permite que os visitantes experimentem diferentes pontos de vista da mesma cena.

Os novos fones de ouvido Oculus Rift VR, da empresa americana Oculus VR, são os antecessores dos dispositivos de realidade virtual que o nosso viajante terá em sua casa, à sua disposição, para testar em 3D diferentes de cenários de férias.

Semelhantes a óculos de ski, os fones de ouvido combinam a tecnologia do smartphone com sensores de movimento para criar uma experiência semelhante a estar cercado por uma tela IMAX infinita. Essencialmente, as imagens são projetadas na retina praticamente da mesma forma que os projetores antigos projetavam imagens em uma tela.

Criado por uma equipe da Universidade de Tecnologia de Viena, outra peça de realidade virtual permite que um usuário acredite que está andando por um labirinto interminável, quando na realidade está andando em círculos dentro de um quarto pequeno. De acordo com a revista New Scientist, os pesquisadores agora estão acrescentando tecnologias de movimento e detecção de proximidade que irão permitir que duas pessoas ou mais experimentem o mesmo labirinto simultaneamente e não se encontrem.

Outros avanços irão acrescentar uma nova categoria de sensações à experiência de realidade virtual: o sentido do tato através de tecnologias sensoriais.

A Disney criou uma nova interface chamada REVEL que proporciona uma reação tátil através de minúsculas vibrações geradas por objetos 3D. O sistema permitirá que os usuários sintam as crateras da Lua, os espinhos de um cacto ou os contornos de um objeto delicado. A NHK, rede de rádio pública do Japão, está neste momento desenvolvendo um protótipo de um sistema semelhante que permite que os espectadores "sintam" as superfícies e texturas de objetos visualizados na tela, incluindo a areia, o mar e as folhas das árvores. Enquanto isso, no Tachi Lab no Japão, o investigador Masashi Nakatani trabalha no kit de ferramentas sensoriais TECHTILE, um dispositivo que permitirá a conversão de sons em texturas e superfícies que poderão ser sentidos.

"Imagine como seria sentir o calor do sol nas mãos", diz Martin Raymond do Laboratório do Futuro. "Com softwares como o TECHTILE, que converte o som das ondas em sensações táteis, você poderá sentir o som de uma gamela em Bali ou tocar nas esvoaçantes bandeiras de oração no Tibete ou no Butão."

Até 2020, técnicas sensoriais baseadas em vibrações semelhantes permitirão que os compradores sintam a textura da lã, da seda ou do algodão da peça que estão prestes a comprar em seu tablet, de acordo com Robyn Schwartz, Diretor Associado da divisão de Pesquisa e Análise de Varejo da IBM. Até a próxima década, os viajantes poderão utilizar tecnologias semelhantes para sentir a areia entre os dedos de uma praia que esteja a milhares de quilômetros de distância.

TOM fazendo um tour de realidade virtual em casa

"Em 10 anos, um viajante poderá fazer um passeio virtual em tempo real pelo hotel onde planeja fazer uma reserva", afirma Nik Gupta, Diretor de Hotéis do Skyscanner.

TOM fazendo um tour de realidade virtual em casa

"Poderemos ver os funcionários em ação, preparando seu quarto em tempo real e ver os chefs cozinhando seu prato preferido. Esse sistema será totalmente revolucionário – uma ferramenta incrivelmente poderosa para criar envolvimento e confiança entre o viajante e a marca".

A relaxante e empolgante viagem em realidade virtual de TOM por uma série de cenários de viagem muito diferentes, permite que ele possa descobrir exatamente o que busca. Agora ele está mais consciente sobre suas preferências e sabe se prefere uma pausa na cidade em vez de uma caminhada nas montanhas ou uma viagem idílica para uma praia exótica.

Reagindo instantaneamente à sua decisão, seu Parceiro de Viagem Digital inicia a segunda fase da descoberta: procurar ativamente e, por último, planejar e reservar a viagem escolhida.

TOM planejando suas férias com ferramentas de busca semântica

Pesquisa semântica

A fase seguinte do envolvimento de TOM

é com as ferramentas de pesquisa fortemente intuitivas e semânticas que serão implementadas online pelas empresas de viagens líderes da próxima década.

Conectado através do seu Parceiro de Viagem Digital, que comunica preferências altamente personalizadas, desde seu café da manhã preferido até sua série de exercícios frequentes na academia, passando pela sua preferência sobre a quantidade de fios dos lençóis de algodão da sua cama, ele utiliza gestos e comandos verbais para interagir, à medida que as ferramentas buscam dados analíticos do Big Data para criar uma seleção de pacotes de férias ideais.

Trata-se de uma experiência onde você pode encontrar tudo em um só local, com todos os aspectos da viagem pesquisados, ponderados e reservados. Como afirma Stefan Rust, CEO da Exicon: "Em um futuro próximo, é provável que os aplicativos móveis mais abrangentes ofereçam um serviço rigoroso, de ponta a ponta – agregadores de empresas aéreas, aeroportos, hotéis e sistemas de transporte terrestre irão fornecer as ferramentas para todos os elementos da viagem.

"Antes do voo, a tecnologia permitirá que você pesquise e reserve o voo, e organize sua viagem local. No aeroporto, ela irá orientá-lo pelo terminal, dizer onde você deve efetuar o check-in, trocar dinheiro, rastrear sua bagagem e ajudá-lo a planejar sua chegada, reservar um quarto ou alugar um automóvel bem como disponibilizar todas as informações que você vai precisar quando chegar ao seu destino"

A tecnologia e as empresas digitais estão rapidamente desenvolvendo novas abordagens intuitivas para facilitar as pesquisas no ciberespaço.

Os usuários passarão a esperar que suas preferências e filtros de pesquisa anteriores sejam gravados, permitindo inclusive que as marcas acessem seus perfis nas redes sociais, histórico de pesquisas e até sequências de e-mails de forma mais proativa, com a finalidade de desenvolver cartogramas mais íntimos e abrangentes de suas necessidades, gostos e tendências de comportamento futuro.

TOM planejando suas férias com ferramentas de busca semântica

Margaret Rice-Jones, Presidente do Skyscanner, acredita que esta tecnologia permitirá que as empresas de viagens utilizem informações presentes nas redes sociais de forma mais eficaz e até ofereçam sugestões e dicas a partir do feedback observado em fóruns e comunidades, sugerindo opções de viagens segmentadas de acordo com os interesses dos usuários.

"Em um futuro próximo, iremos observar uma maior integração transversal dos sites de viagens e sites de redes sociais", afirma ela.

Até 2024, esta abordagem intuitiva será ainda mais desenvolvida, com softwares com capacidade para ler expressões faciais ou criar um "DNA Digital" com as preferências do usuário.

A empresa de tecnologia Affectiva está criando um algoritmo de codificação facial que permitirá que o software do mecanismo de pesquisa leia as expressões humanas e, deste modo, avalie se os resultados que está oferecendo agradam ou são frustrantes para o usuário. Nara, o novo mecanismo de descoberta pessoal, recorre a conceitos da neurociência para reproduzir e compreender os padrões de pensamento do cérebro humano, permitindo a criação de um "DNA digital" com as preferências do usuário.

A pesquisa gráfica do Facebook responde a perguntas em inglês coloquial – e até em inglês gramaticalmente incorreto – e oferece sugestões intuitivas com base em dados das redes sociais.

Progressivamente, estas ferramentas buscarão automaticamente uma enorme quantidade de dados pessoais dos consumidores à sua disposição, para instantaneamente garantir que os resultados das pesquisas de viagens estejam de acordo com as exigências e desejos dos usuários individuais.

"O sistema Big Data pode ser uma força poderosa na transformação da indústria de viagens", segundo o Amadeus IT Group. "Poderá ser uma das iniciativas mais influentes desde o sistema de reservas online".

No entanto, nem todos concordam com isto. Especialistas em tecnologia, como Betsy Bilhorn, Vice-Presidente de Gerenciamento de Produtos da Scribe Software, rejeita esta premissa como sendo superestimada e por sua probabilidade de provocar confusão através da sobrecarga de informações, em vez de fornecer uma visão holística das necessidades dos clientes.

TOM escolhendo pacotes de viagem personalizados

Contudo, Martin Raymond, do Laboratório do Futuro destaca que:

"Assim como a tecnologia está influenciando a tecnologia, a forma como desenvolvemos a tecnologia é fortemente influenciada pelo consumidor.

"Na nossa pesquisa com pré-adolescentes da Geração I (Geração Interativa) e seus irmãos e irmãs mais velhos, a chamada Geração D (Digital), concluímos que poucos temem a chegada do Big Data, e que muitos estão abertos a ideia, desde que faça com que fiquem mais próximos dos seus ideais de comunicações sem falhas com o mundo que os rodeia."

Em 2024, TOM estará acostumado a lidar com toda uma série de softwares de pesquisa online, com habilidade de falar com ele e avaliar suas reações com a finalidade de antecipar suas necessidades de viagem.

Conforme afirma o Futurologista de Viagens, Dr. Ian Yeoman: "As crianças mais novas acharão perfeitamente normal falar com uma máquina que os compreenda sem que tenham que tocar em um teclado ou em uma tela.

"O reconhecimento de voz envolvendo agentes inteligentes que usam uma linguagem mais natural e aprendem com a experiência, já está se tornando mais convencional."

Em poucos minutos, o dispositivo de inteligência artificial de uso corporal do TOM irá apresentá-lo uma seleção de pacotes de viagem personalizados para sua análise.

Quando tiver feito sua escolha, seu Parceiro de Viagem Digital fará todas as reservas - e gerenciará as transações de pagamento - fazendo a ligação com o sistema de software inteligente das empresas de viagens.

Assim serão as descobertas de viagens em 2024. Uma viagem testada, pesquisada e reservada, de forma intuitiva e contínua em menos de uma hora – sem que seja preciso sair de casa.

É um mundo que parecerá perfeitamente normal para nosso viajante. Martin Raymond conclui: "Os viajantes e usuários de nossos dias suspeitam de sistemas online que tenham este nível profundo de compreensão de seus pensamentos e sentimentos.

"Porém, os adolescentes e crianças com menos de 10 anos não compreendem o motivo de tanta preocupação. Eles esperam que a tecnologia trabalhe de forma intuitiva, a fim de oferecer soluções à medida que eles precisam delas, sem que nunca precisem pedir diretamente."

TOM no aeroporto

Conclusão

A experiência que TOM terá na reserva e planejamento de sua viagem será incrivelmente colaborativa, integrada, sob medida e envolvente.

O Parceiro de Viagem Digital, um dispositivo de inteligência artificial de uso corporal que incorpora a mais recente tecnologia controlada por voz e gestos, irá intuitivamente examinar a sobrecarga de informações online com o objetivo de criar a viagem dos seus sonhos.

As descobertas serão reforçadas por sites de empresas que irão implementar a realidade virtual da próxima geração e ferramentas sensoriais para permitir que os viajantes vejam, ouçam e sintam uma série de possíveis destinos, do conforto de sua casa.

A reserva será uma experiência rápida, fácil, sem ansiedade ou tensão e contínua, realizada através de sites semânticos capazes de aprender as preferências de um usuário partindo de suas ações online anteriores e conversando com eles verbalmente na linguagem do cotidiano.

Parte 2: Jornadas de Viagem
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Uma perspectiva das viagens na década de 2020

Para compreender as viagens dos nossos viajantes na década de 2020, é necessário que tenhamos em consideração as forças tecnológicas, econômicas e sociais que irão redefinir a indústria global de viagens nos próximos 10 anos.

Talvez o fator mais significativo com que nos deparamos seja o crescimento em direção à Maturidade Digital. Em 2014, o ciberespaço e suas tecnologias associadas deixaram de ser encaradas como novidade ou surpresa e estão se tornando o cenário para tudo em nossas vidas.

Atualmente na China, 464 milhões de pessoas, ou 34,5% da população chinesa, tem acesso à Internet através de smartphones ou dispositivos móveis sem fio, de acordo com o China Internet Network Information Center. A Ásia irá registrar o maior crescimento da classe média – prevê-se que triplique para 1,7 bilhões até 2020, segundo a Brookings Institution – cujo poder de compra estimulará novos comportamentos e atitudes globais em relação à tecnologia digital.

Até 2024, a conectividade à Internet e os dispositivos móveis serão tão triviais como a iluminação elétrica e o ar condicionado central são hoje em dia. A tecnologia estará perfeitamente integrada ao cotidiano dos viajantes, tanto nas economias desenvolvidas como nas economias em desenvolvimento. Segundo a Cisco Systems, serão 50 bilhões de dispositivos conectados à Internet até 2020.

Simultaneamente, haverá uma explosão nas viagens provenientes dos Mercados Prósperos da Ásia, América do Sul e África – as novas economias emergentes de cada região – à medida que seu poder de compra cresce significativamente.

Até 2030, a Ásia, a economia regional com o crescimento mais rápido do mundo, duplicará seu PIB para 67 trilhões de dólares, ultrapassando as previsões do PIB para a Europa e para as Américas, de acordo com o Boston Consulting Group.

Os milhões de viajantes dos Mercados Prósperos serão introduzidos em uma era de Mobilidade Global, com a indústria global de viagens e a procura por oportunidades e experiências de viagem expandindo-se rapidamente na próxima década.

O World Travel & Tourism Council previu um crescimento de 3,2% nas viagens globais em 2013, ultrapassando facilmente o crescimento previsto de 2,4% do PIB mundial. A disparidade foi ainda mais acentuada nas economias emergentes em 2012, com a China e a África do Sul registrando um crescimento anual em viagens de 7% e a Indonésia um aumento de 6%.

O entusiasmo financeiro dos Mercados Prósperos será um antídoto global necessário para a contínua turbulência econômica que definirá a atitude dos viajantes nos Mercados Maduros – as economias na Europa e nos EUA que tiveram seu crescimento reduzido nos últimos cinco anos devido às dívidas pós-crise e à austeridade.

De acordo com o relatório Global Travel Trends de 2012/2013 do IPK International: "Um número cada vez maior destes países não tem capacidade de pagar suas dívidas; a crise da dívida não chegou ao fim e os impactos negativos resultam no comportamento das viagens – a denominada 'mobilidade descendente' – na Europa Ocidental, nos EUA e no Japão".

O fator decisivo para a definição da indústria de viagens global da década de 2020 é o fator social. Uma Bomba-relógio demográfica está à espera, enquanto a população mundial envelhece a um ritmo sem precedentes.

No último século foi registrado o declínio mais rápido da taxa de mortalidade da história da humanidade, com a expectativa de vida mundial média subindo de 47 anos entre 1950 e 1955 para 69 entre 2005 e 2010, de acordo com a ONU.

Em 1950, havia duas crianças com menos de 15 anos para cada adulto com mais de 60. Até 2050, o número de adultos com idade superior a 60 anos será o dobro do número de crianças.

Desta forma, em 2024, nosso viajante fará sua viagem em um mundo onde a procura dos Mercados Prósperos por novas experiências será contraposta pela preocupação financeira dos Mercados Maduros da Europa e dos EUA, ainda em recuperação.

O viajante não se surpreenderá com o fato de que cada aspecto da viagem, começando pela descoberta e reserva, passando pelo período de trânsito e voo, irá incorporar a mais recente tecnologia digital da mesma forma que ele o faz: perfeita e intuitivamente.




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Metodologia de pesquisa

Este relatório do Skyscanner é o resultado do trabalho de uma influente equipe de 56 editores, investigadores e especialistas em tendências do futuro nas mais importantes cidades internacionais, com a finalidade de criar uma representação detalhada dos próximos 10 anos no que diz respeito a tecnologias inovadoras e a novos e entusiasmantes destinos que definirão a indústria de viagens global na década de 2020.

Os especialistas

Exploramos as tecnologias de viagens e os comportamentos futuros combinando o conhecimento de um painel de especialistas mundialmente reconhecidos, incluindo o Futurista Daniel Burrus, autor de Technotrends: Como usar a tecnologia para ficar à frente dos concorrentes, e do Futurologista de Viagens, Dr Ian Yeoman.

Também nos apoiamos em ensinamentos prévios fornecidos pelo estrategista digital Daljit Singh, Chefe de Previsões da Microsoft no Reino Unido; Steve Vranakis, Diretor Criativo Executivo do Google; Kevin Warwick, Professor de Cibernética da Universidade de Reading; e Martin Raymond, co-fundador do Laboratório do Futuro e autor de CreATE, as pessoas do amanhã e do Guia de previsão de tendências.

Os seguintes especialistas do Skyscanner participaram com suas perspectivas e conhecimento especializado: Margaret Rice-Jones, Presidente; Gareth Williams, CEO e co-fundador, Alistair Hann, CTO, Filip Filipov, Chefe de B2B; Nik Gupta, Diretor de Hotéis; e Doug Campbell, Gerente de Marketing de Produto.

Além dos profissionais previamente citados, a rede online do Laboratório do futuro, LS:N Global, e os resultados da série anual de relatórios sobre o futuro das viagens, tecnologia, comida e acomodação do Laboratório do Futuro também foram usados para complementar a pesquisa.




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Material gráfico

As Viagens no Futuro : ano 2024 - Parte 1 PDF (2.5Mb)


As Viagens no Futuro : ano 2024 - Parte 2 PDF (2.5Mb)







As Viagens no Futuro : ano 2024 - Parte 3 PDF (2.5Mb)







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Fale conosco

Para informações adicionais sobre este relatório, entre em contato com:

Tahiana Rodrigues

tahiana.rodrigues@skyscanner.com.br

(+1) 305-967-6311

Para mais informações sobre o Skyscanner, visite: : www.skyscanner.com.br

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