Parte 2: Jornadas de Viagem

Como uma revolução tecnológica transformará os aeroportos e voos da década de 2020 em diante

Um Google táxi espera TOM na porta de sua casa

O aeroporto do futuro: embarques descomplicados

Um Google táxi espera TOM (Traveller of the Millennium, Viajante do Milênio) na porta de sua casa. O carro, no entanto, pouco lembra os táxis usados em 2014.

Ele tem acesso integrado à internet e é totalmente controlado por gestos e voz através de uma tela 3D, o que possibilita que ele fale com a família e amigos por Skype, enquanto se desloca. A ida para o aeroporto às seis da tarde nunca terá sido tão fácil e tranquila.

No aeroporto, os grandes avanços tecnológicos eliminaram as filas do check-in e os próprios balcões de check-in. TOM pode deixar sua mala em pontos automatizados espalhados por todo o terminal e efetuar o check-in com um comando verbal para um dispositivo pessoal de inteligência artificial.

TOM despacha sua mala enquanto pede comida no restaurante

Alguns dos principais especialistas na indústria aérea veem este cenário como perfeitamente possível. “Até 2025, as tecnologias self-service serão automatizadas e operadas através de smartphones, permitindo que o viajante deixe a mala no McDonald’s ou faça o check-in enquanto toma café no Starbucks”, diz Patrick Yeung, CEO da Dragonair.

De fato, os precursores desta tecnologia já estão sendo introduzidos nos aeroportos. A British Airways e a Microsoft estão trabalhando juntas em testes de etiquetas digitais para malas, que podem ser personalizadas e ativadas através de smartphones e que eliminarão totalmente as etiquetas de papel, as passagens e os cartões de embarque.

Etiquetas digitais de bagagem com informações do voo

A etiqueta digital pode ser pré-definida com informações sobre o voo e o destino da bagagem, e a tecnologia da Near Field Communications permite que a informação seja rapidamente lida e enviada.

A mesma tecnologia também permitirá que TOM rastreie suas próprias malas, indicando em qual esteira estão ou em qual lugar do aeroporto se encontram, com direito a uma breve visualização da mala no seu trajeto dentro do aeroporto.

“No entanto, esta é apenas a ponta de um fascinante iceberg tecnológico”, afirma o co-fundador do Laboratório do Futuro, Martin Raymond. “Estamos testemunhando o nascimento de algo que tem sido chamado de a ‘internet das coisas’, em que ao longo da próxima década, cada vez mais produtos estarão conectados à internet e uns aos outros. De acordo com a Cisco, serão aproximadamente 50 bilhões de dispositivos. Incluindo produtos como peças de vestuário, acessórios, geladeiras, e até escovas de dentes e malas.”

Tablet inteligente para fazer check-in no aeroporto

Segundo Raymond, os sistemas de etiquetas estarão conectados e armazenarão todas as informações da mala, telefone, hotel ou casa em um único dispositivo, facilitando e integrando a transmissão de informações. Por exemplo, o seu hotel saberá se você precisa de mais artigos de banho, ou a sua geladeira indicará se você precisa comprar mais alimentos básicos e sua máquina de lavar automaticamente ajustará sua configuração de lavagem para limpar da melhor forma as roupas manchadas de protetor solar que você trará para casa depois das férias.

Contudo, o sistema de etiquetas inteligentes é apenas o início da jornada. Os tablets inteligentes já estão sendo utilizados pelo projeto Fast Travel, da All Nippon Airways, que permite que seus viajantes usem tablets para efetuar seu check-in em segundos, e em seguida indicam o melhor caminho para chegar à área de segurança e passar para a área de embarque.

Nos aeroportos de Frankfurt e Heathrow foi implantado o iQueue, um sistema com Bluetooth que está sendo usado para compreender o comportamento dos passageiros e reduzir o tempo de espera. Ele monitora filas, o tempo de espera, os controles de acesso e serviços associados.

Nossos especialistas afirmam que no futuro, quando sistemas como este tiverem sido testados, os passageiros poderão acessar dados armazenados através de um aplicativo e usar as sugestões fornecidas para facilitar suas viagens.

TOM fazendo check-in em um quiosque self-service

No aeroporto de Incheon em Seul, na Coréia do Sul, oito das principais companhias aéreas já disponibilizam um quiosque self-service que permite que o check-in seja feito em três minutos. Os voos de partida brevemente integrarão sistemas de imigração biométricos utilizando reconhecimento facial e os cartões de embarque serão inutilizados, dando espaço a passaportes que possam ser lidos por máquinas.

Para vários especialistas da indústria, estes desenvolvimentos são apenas os primeiros passos no processo que resultará em uma estrutura aeroportuária automatizada e livre de maiores complicações, que será aproveitada por TOM em 2024.

Como afirma Greg Fordham, Diretor-Geral da Airbiz: “Em cinco anos, não será necessário ter nenhum agente humano no terminal.

“A passagem pelo aeroporto totalmente automatizado permitirá que o passageiro tenha total controle sobre o que acontece, enquanto uma equipe de funcionários otimizada, multilíngue e multidisciplinar se concentrará em prestar assistência àqueles que precisam.

“Os processos automatizados e de self-service também irão, virtualmente, eliminar filas, considerando que o passageiro fará seu próprio check-in em uma área comum, consequentemente reduzindo o tempo necessário a ser passado no aeroporto.”

TOM recuperará grande parte do seu tempo nos portões de segurança. As longas filas e as máquinas de raio-x de 2014 farão parte de um passado distante e que não faz falta.

Planeja-se que a maior parte destas tecnologias sejam implementadas no terminal 4 do aeroporto Changi de Cingapura, que tem inauguração prevista para 2017. O rastreamento biométrico, o check-in self-service e o embarque digital, através do celular, são apenas algumas das inovações padrões planejadas que aparecerão juntamente com concierges virtuais e lojas que exibirão produtos que podem ser comprados com um clique e entregues em sua casa sem a necessidade de serem transportados no avião.

Rastreadores moleculares a laser examinam passageiros e malas na área de segurança

“Os cartões de dados biométricos irão substituir os passaportes, identificando os viajantes de boa índole como riscos de segurança baixos, o que permitirá que passem rapidamente pela área de segurança, poupando tempo em trânsito e no embarque”, diz o Dr. Ian Yeoman.

De forma semelhante, o software de reconhecimento facial será utilizado para identificar expressões faciais ou movimentos corporais sugerindo o que deverá ser feito. Por exemplo, passageiros com crianças em estado de tensão extrema poderão ter prioridade, enquanto viajantes que podem estar transportando contrabando ou aqueles que têm mais probabilidade de causar um risco de segurança para o aeroporto ou o avião poderão ser encaminhados para um interrogatório.

Rastreadores moleculares a laser examinam passageiros e malas na área de segurança

O meticuloso raio-x de todas as malas e bolsas não será mais necessário. Em vez disso, uma nova geração de rastreadores moleculares a laser examinará tanto os passageiros como suas malas em uma fração de segundos enquanto passam sem restrições pela área de segurança.

Os rastreadores moleculares a laser da Genia Photonics, atualmente sendo testados pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, são 10 milhões de vezes mais rápidos que os rastreadores convencionais e podem funcionar a uma distância de 50 metros, rastreando todos os passageiros e não apenas uma amostra selecionada.

Time Tower no aeroporto internacional de Los Angeles

O aeroporto do futuro: criação de Aerovilas

Após passar pela versão otimizada de check-in e área de segurança de 2024, TOM poderá desfrutar o espaço em torno da sala de espera da área de embarque, projetado de forma inteligente para transformar este trajeto em uma experiência confortável e prazerosa.

Como afirma Melissa Weigel, Diretora de Multimídia Sênior na Moment Factory, estúdio de design de ambientes multimídia que recentemente renovou o terminal internacional do Aeroporto de Los Angeles “atualmente, os aeroportos nos fazem lembrar o preço que pagamos para viajar e nos dão a impressão de um lugar onde estamos presos e de onde queremos sair assim que possível. Em um futuro próximo, os aeroportos serão uma parte intrínseca da experiência de férias, tornando-se um local onde gostamos de passar tempo. Os aeroportos se preocuparão em dar às pessoas uma melhor perspectiva de bem-estar durante a viagem. Serão espaços alegres e agradáveis, com arquitetura inteligente que influenciará todo o estado de espírito do ambiente.”

Conhecida por produzir as telas de vídeo usadas no Super Bowl e nos shows da Madonna em sua turnê mundial de 2012, a Moment Factory desenvolveu conteúdo multimídia interativo para sete telas LED gigantes construídas em locais estratégicos de todo o terminal internacional do aeroporto de Los Angeles.

A atração principal é a Time Tower, uma ilusão tátil com quatro lados de cerca de 22m, que cobre um dos principais elevadores do terminal. A atração trompe l’oeil desliza lentamente vídeos inspirados por antigos filmes de Hollywood, entre outras coisas. “Tentamos pensar nesta atração como se estivéssemos contando a história de Los Angeles”, afirma Weigel.

TOM observa as obras de arte do aeroporto de Amsterdã

Estes painéis publicitários não exibem publicidade. Em vez de agitarem os clientes, as instalações são propositadamente tranquilizadoras e pacíficas.

Vistos por muito tempo como zonas de transição pouco interessantes, os aeroportos tornaram-se alguns dos melhores locais para encontrar arte. O aeroporto Changi de Cingapura possui a maior escultura cinética do mundo, a Kinetic Rain. O aeroporto Schiphol de Amsterdã exibe obras primas holandesas emprestadas pelo museu Rijksmuseum.

Para Marion Witthøfft, Chefe de Excelência Comercial nos Aeroportos de Copenhagen, a transformação artística encontrada em diversos aeroportos é uma consequência inevitável das crescentes expectativas dos passageiros. “Eles esperam que um aeroporto seja eficiente, mas o que querem mesmo é que um aeroporto seja mais do que apenas eficiente”, afirma ela.

Witthøfft deseja que seu aeroporto proporcione “momentos mágicos” quando os passageiros “virem e experimentarem algo inesperado”. Ela fala com admiração da instalação da Moment Factory no Aeroporto de Los Angeles. “É isso que eu chamo de um momento mágico”.

TOM no terraço do aeroporto

O desejo por edifícios amplos e espaçosos está caracterizando o design de novas e inspiradoras Aerovilas espalhadas pelo mundo que irão evoluir e se tornarão o padrão de aeroporto convencional até o ano de 2024.

O aeroporto Changi de Cingapura possui um telhado em forma de borboleta, um jardim vertical de cinco andares, cascatas, quatro cinemas e uma piscina na cobertura. Cada vez mais, aeroportos estão instalando sistemas de ventilação e terraços ao ar livre que permitam que os viajantes acessem um espaço aberto, já que um número crescente de estudos indica que esta é uma das principais preocupações do viajante global. Uma pesquisa feita recentemente pelo Skyscanner indica que 43% dos passageiros adorariam ter um parque ao ar livre ou uma praia como parte da sua experiência no aeroporto.

O novo Aeroporto Internacional do Kuwait – com abertura prevista para 2016 – será o primeiro terminal de passageiros com certificação ouro LEED (certificação concedida à construções sustentáveis que atendam diversos pré-requisitos relacionados à racionalização de recursos como energia e água, entre outros), cascatas internas para refrigeração e rodeado por jardins no estilo oásis.

Segundo Martin Raymond do Laboratório do Futuro, “no aeroporto do futuro veremos telas interativas, ambientes envolventes e utilização de sistemas de projeção para localização ou sobreposições de realidade virtual, que permitirão que cada passageiro crie seu próprio itinerário pelo terminal do aeroporto, fazendo parte do que os especialistas intitularam ‘experiums’– zonas como parques de varejo, espaços públicos e centros comerciais onde infográficos, tecnologia de localização e geo-tagging serão utilizados de forma colaborativa para tornar as áreas de trânsito simples em histórias imaginativas, envolventes e interativas.

TOM fazendo compras em uma vitrine virtual

Até 2024, as experiências de compras e gastronomia serão transformadas pela convergência do Transtailing – um novo formato de varejo de trânsito – e uma mistura entre técnicas de varejo físicas e digitais denominada Phygital.

Vitrines recentes utilizadas pelos varejistas de artigos desportivos Adidas e de moda Forever 21, permitem que clientes comprem itens simplesmente apontando seus smartphones para o produto, indicando as mudanças que podemos esperar quanto à comida e o varejo em aeroportos. No entanto, imagine expor estes objetos virtualmente ou adicionar interfaces ou luvas hápticas, como as que os pesquisadores estão usando atualmente para melhorar a sensibilidade tátil no mundo dos jogos. Acrescente a isso uma tecnologia que libera aromas individuais de partes exatas de um produto onde você esperaria encontrá-los, como o cheiro de couro vindo do calcanhar de um sapato novo ou do interior de uma bolsa comprada no Duty Free, e você começará a entender porque experiências secretas na área dos aromas virtuais que acontecem na Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio são de grande interesse para pesquisadores que procuram tornar a experiência de compras virtuais em uma experiência mais prazerosa e surpreendente no futuro.

A Tela Aromática (Smelling Screen), apresentada pela equipe da Universidade de Tóquio na conferência IEEE Virtual Reality 2013 em Orlando, na Flórida, produz odores que parecem sair de áreas específicas da tela. E segundo os pesquisadores, no futuro o mesmo poderia funcionar para vitrines de lojas ou paredes comerciais digitais.

As paredes virtuais do supermercado Tesco, testadas pela primeira vez em estações do metrô e estações rodoviárias na Coréia do Sul, antes de serem introduzidas no aeroporto de Gatwick, inspiraram os varejistas no aeroporto de Nova Deli, na Índia, a seguir seu exemplo. Agora os clientes podem ler códigos QR em seus respectivos smartphones para comprar bens de luxo, incluindo perfumes, joias, máquinas fotográficas e smartphones. Estão sendo testadas iniciativas semelhantes em Frankfurt e nas salas de espera da área de embarque de voos domésticos em vários aeroportos e terminais urbanos de segunda classe na China.

Estúdios multidisciplinares como o Think Big Factory acreditam que, em um futuro próximo, grandes espaços abertos como as paredes e os andares da área de embarque dos aeroportos também sejam totalmente interativos.

TOM transitará por um ambiente integrado com softwares interativos que permitirão que ele peça comida ou faça compras com um simples aceno de mão ou comando verbal, sabendo que seu pedido será entregue rapidamente, onde quer que ele esteja no terminal.

“Cada segundo do percurso pelo aeroporto será valioso. Sem ter que perder tempo em filas, os passageiros poderão apreciar ofertas de comida, bebida e varejo muito mais atrativas”, diz Greg Fordham da Airbiz.

“Os passageiros gastarão mais em compras e as áreas comerciais dos aeroportos evoluirão para proporcionar experiências inigualáveis”.

TOM fazendo yoga em um pavilhão virtual do aeroporto

Relaxado após uma série de ioga em um pavilhão virtual e algumas braçadas em uma piscina de fundo infinito com vista para sua ilha escolhida, TOM pede que seu dispositivo de inteligência artificial faça suas compras habituais em uma parede comercial virtual nas redondezas. A encomenda estará à sua espera quando ele chegar em casa.

TOM fazendo yoga em um pavilhão virtual do aeroporto

Ele diz ao seu Parceiro de Viagem Virtual que está com sede. O dispositivo inteligente pede que seu milk-shake preferido seja entregue enquanto nosso viajante está descontraidamente sentado em uma cadeira que se adapta à forma exata de seu corpo. Ele é embalado pelo som de uma cascata e pelo canto dos pássaros no meio da floresta no átrio do terminal.

Agora, é só relaxar e aguardar que o software do aeroporto avise que está na hora do embarque.

Um holograma em 3D de um funcionário do aeroporto avisa TOM que seu voo está à sua espera

Voos do futuro

TOM desperta de sua soneca e percebe que um holograma 3D de um dos funcionários do aeroporto, projetado pelo software integrado do terminal, se aproxima para avisá-lo que seu voo está à sua espera.

Outros hologramas, introduzidos individualmente em seu plano de viagem pelo seu dispositivo inteligente, guiam TOM de sua cadeira na floresta, até o portão de embarque, passando pelo terminal.

O cenário que descrevemos para 2024 está solidamente assimilado nas tecnologias aeroportuárias emergentes nos dias de hoje. Seguranças holográficos especializados já começaram a ser usados nos Estados Unidos e Inglaterra para orientar as pessoas em relação às restrições de segurança em tempo real, com a finalidade de evitar filas e atrasos provocados por paradas e buscas de informações frequentes.

Também já estão sendo implantados sistemas de orientação pessoal. No aeroporto de Copenhagen, um aplicativo de localização para smartphones orienta cada usuário quanto ao trajeto mais rápido e fácil de qualquer lugar do aeroporto até o portão de embarque.

TOM conversa com sua família em 3D, de dentro do avião

Sem ter que parar para verificar cartão de embarque e passaporte, devido ao software digital e biométrico do aeroporto, TOM caminha em direção ao avião.

A cabine e o assento que o aguardam mudaram drasticamente durante a última década. A cadeira molda-se ao seu corpo semelhantemente à espuma com memória usada pelos astronautas e a iluminação inteligente da cabine foi criada para eliminar os efeitos do jet lag, produzindo melatonina, o hormônio do sono, da mesma forma que um recente dispositivo de cabeceira chamado Withings Aura, faz.

Integrado à sua cadeira há um sistema de controle de climatização e um concentrador de comunicações e entretenimento holográfico que permite que TOM tenha conversas em 3D com seus amigos e familiares que estejam em casa e que também reproduza filmes e músicas à sua escolha.

Desreguladores sônicos integrados ao estofado da cadeira impedirão que os outros passageiros ouçam suas conversas. Luvas hápticas – inicialmente para Classe Executiva- permitirão que o viajante acaricie seus filhos, beije sua esposa ou aperte a mão de um colega de trabalho, sentindo a pressão do toque ao mesmo tempo em que ocorre.

TOM conversa com sua família em 3D, de dentro do avião

“Este tipo de tecnologia já está em uso”, afirma Martin Raymond “e em eventos como o Consumer Electronics Show 2014 em Las Vegas, vemos versões de segunda e terceira geração destes dispositivos, que são extremamente caros atualmente, mas que devem diminuir de preço à medida que cheguem ao mercado de massa”.

Desta forma, em uma década, quando mais e mais passageiros passarem a usar seu próprio sistema de entretenimento durante os voos, as companhias aéreas terão que atraí-los com tecnologias cada vez mais inovadoras e envolventes.

A estrutura da aeronave do futuro

De forma semelhante, as cabines serão divididas em diferentes zonas para satisfazer as necessidades daqueles que pretendem relaxar, conversar com outros passageiros ou fazer refeições, que serão solicitadas a comissários de bordo equipados com dispositivos inteligentes que contêm informações sobre as preferências específicas dos viajantes.

Trata-se de uma transformação surpreendente que tem origem nos avanços tecnológicos e nos novos desejos evidentes dos passageiros. Um estudo com consumidores do Skyscanner revelou que quartos em estilo cápsula nos aviões ocupam os primeiros lugares na lista de desejos dos passageiros, indicando uma forte demanda para que o projeto das aeronaves seja repensado radicalmente para incluir uma boa noite de sono no pacote normal.

Foi esta exigência que levou a Airbus a criar uma ‘Cabine Conceito’ em que a Primeira Classe, a Classe Executiva e a Classe Econômica foram eliminadas dando lugar a diferentes áreas que permitem que os viajantes relaxem, joguem, interajam com outros passageiros e conversem com amigos e colegas que se encontram em terra.

Afastando-se da ideia de cadeiras tamanho único, assentos que se adaptam ao corpo proporcionam diferentes níveis de conforto e satisfazem as necessidades de uma população cada vez mais obesa.

A empresa de pesquisa alemã Fraunhofer desenvolveu uma cadeira com controle de climatização integrado que pode ser regulada pelo passageiro individualmente, o que, segundo a consultora de design aeronáutico Catherine Barber, combinada à iluminação inteligente da cabine, fará com que o jet lag seja coisa do passado nos anos de 2020. De acordo com a Airbus, teremos acessórios e luminárias sustentáveis com função auto-limpante inspiradas pela natureza.

TOM toma um drink com outros passageiros no bar da aeronave

As comunicações a bordo irão mudar radicalmente para os passageiros até o final desta década. A conectividade 5G, de próxima geração, estará disponível nos aviões no futuro, tornando os downloads a 100Mb/s através de banda larga por satélite avançado, parte do pacote normal, de acordo com o relatório de 2013 Connected World Transforming Travel, Transportation and Supply Chains do World Economic Forum.

Consequentemente, cada cadeira se tornará uma combinação de sala de estar móvel e escritório virtual, pré-carregada com filmes multimídia, música e dados personalizados. Um sistema de hologramas semelhante ao Skype permitirá conversas em tempo real com amigos e familiares dos viajantes.

Confortavelmente instalado em sua cadeira hiperconectada e com controle de climatização ou passeando livremente pelas diferentes zonas na cabine da aeronave, TOM mal perceberá que as horas passam, enquanto viaja para um dos mais novos e inspiradores destinos de 2024.

TOM relaxando em uma cachoeira dentro do aeroporto

Conclusão

Em dez anos, o percurso de casa para o avião será praticamente irreconhecível, se comparada à experiência frequentemente lenta e tensa de 2014.

O trajeto para o aeroporto será claramente agradável, pois o viajante passa o tempo navegando na internet ou falando com amigos e familiares em um táxi equipado com realidade virtual e tecnologia cyber-conectada.

Ele aguardará ansiosamente sua chegada ao aeroporto, que terá sido transformado de uma estação transitória a uma Aerovila de luxo, com cadeiras que se adaptam ao corpo, paredes virtuais comerciais, cinemas 3D, piscinas na cobertura e centros de ioga instalados por entre as florestas dos átrios no terminal.

Rastreadores moleculares, etiquetas digitais para malas e tecnologia de reconhecimento facial e retina terão eliminado as filas na segurança e no check-in. Funcionários holográficos guiarão nosso viajante, sem qualquer problema, até o seu respectivo lugar, que se molda à sua forma corporal e é equipado de fábrica com multimídia em 3D e conexão à internet.

Parte 3: Destinos e hotéis
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Uma perspectiva das viagens na década de 2020

Para compreender as viagens dos nossos viajantes na década de 2020, é necessário que tenhamos em consideração as forças tecnológicas, econômicas e sociais que irão redefinir a indústria global de viagens nos próximos 10 anos.

Talvez o fator mais significativo com que nos deparamos seja o crescimento em direção à Maturidade Digital. Em 2014, o ciberespaço e suas tecnologias associadas deixaram de ser encaradas como novidade ou surpresa e estão se tornando o cenário para tudo em nossas vidas.

Atualmente na China, 464 milhões de pessoas, ou 34,5% da população chinesa, tem acesso à Internet através de smartphones ou dispositivos móveis sem fio, de acordo com o China Internet Network Information Center. A Ásia irá registrar o maior crescimento da classe média – prevê-se que triplique para 1,7 bilhões até 2020, segundo a Brookings Institution – cujo poder de compra estimulará novos comportamentos e atitudes globais em relação à tecnologia digital.

Até 2024, a conectividade à Internet e os dispositivos móveis serão tão triviais como a iluminação elétrica e o ar condicionado central são hoje em dia. A tecnologia estará perfeitamente integrada ao cotidiano dos viajantes, tanto nas economias desenvolvidas como nas economias em desenvolvimento. Segundo a Cisco Systems, serão 50 bilhões de dispositivos conectados à Internet até 2020.

Simultaneamente, haverá uma explosão nas viagens provenientes dos Mercados Prósperos da Ásia, América do Sul e África – as novas economias emergentes de cada região – à medida que seu poder de compra cresce significativamente.

Até 2030, a Ásia, a economia regional com o crescimento mais rápido do mundo, duplicará seu PIB para 67 trilhões de dólares, ultrapassando as previsões do PIB para a Europa e para as Américas, de acordo com o Boston Consulting Group.

Os milhões de viajantes dos Mercados Prósperos serão introduzidos em uma era de Mobilidade Global, com a indústria global de viagens e a procura por oportunidades e experiências de viagem expandindo-se rapidamente na próxima década.

O World Travel & Tourism Council previu um crescimento de 3,2% nas viagens globais em 2013, ultrapassando facilmente o crescimento previsto de 2,4% do PIB mundial. A disparidade foi ainda mais acentuada nas economias emergentes em 2012, com a China e a África do Sul registrando um crescimento anual em viagens de 7% e a Indonésia um aumento de 6%.

O entusiasmo financeiro dos Mercados Prósperos será um antídoto global necessário para a contínua turbulência econômica que definirá a atitude dos viajantes nos Mercados Maduros – as economias na Europa e nos EUA que tiveram seu crescimento reduzido nos últimos cinco anos devido às dívidas pós-crise e à austeridade.

De acordo com o relatório Global Travel Trends de 2012/2013 do IPK International: "Um número cada vez maior destes países não tem capacidade de pagar suas dívidas; a crise da dívida não chegou ao fim e os impactos negativos resultam no comportamento das viagens – a denominada 'mobilidade descendente' – na Europa Ocidental, nos EUA e no Japão".

O fator decisivo para a definição da indústria de viagens global da década de 2020 é o fator social. Uma Bomba-relógio demográfica está à espera, enquanto a população mundial envelhece a um ritmo sem precedentes.

No último século foi registrado o declínio mais rápido da taxa de mortalidade da história da humanidade, com a expectativa de vida mundial média subindo de 47 anos entre 1950 e 1955 para 69 entre 2005 e 2010, de acordo com a ONU.

Em 1950, havia duas crianças com menos de 15 anos para cada adulto com mais de 60. Até 2050, o número de adultos com idade superior a 60 anos será o dobro do número de crianças.

Desta forma, em 2024, nosso viajante fará sua viagem em um mundo onde a procura dos Mercados Prósperos por novas experiências será contraposta pela preocupação financeira dos Mercados Maduros da Europa e dos EUA, ainda em recuperação.

O viajante não se surpreenderá com o fato de que cada aspecto da viagem, começando pela descoberta e reserva, passando pelo período de trânsito e voo, irá incorporar a mais recente tecnologia digital da mesma forma que ele o faz: perfeita e intuitivamente.




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Metodologia de pesquisa

Este relatório do Skyscanner é o resultado do trabalho de uma influente equipe de 56 editores, investigadores e especialistas em tendências do futuro nas mais importantes cidades internacionais, com a finalidade de criar uma representação detalhada dos próximos 10 anos no que diz respeito a tecnologias inovadoras e a novos e entusiasmantes destinos que definirão a indústria de viagens global na década de 2020.

Os especialistas

Exploramos as tecnologias de viagens e os comportamentos futuros combinando o conhecimento de um painel de especialistas mundialmente reconhecidos, incluindo o Futurista Daniel Burrus, autor de Technotrends: Como usar a tecnologia para ficar à frente dos concorrentes, e do Futurologista de Viagens, Dr Ian Yeoman.

Também nos apoiamos em ensinamentos prévios fornecidos pelo estrategista digital Daljit Singh, Chefe de Previsões da Microsoft no Reino Unido; Steve Vranakis, Diretor Criativo Executivo do Google; Kevin Warwick, Professor de Cibernética da Universidade de Reading; e Martin Raymond, co-fundador do Laboratório do Futuro e autor de CreATE, as pessoas do amanhã e do Guia de previsão de tendências.

Os seguintes especialistas do Skyscanner participaram com suas perspectivas e conhecimento especializado: Margaret Rice-Jones, Presidente; Gareth Williams, CEO e co-fundador, Alistair Hann, CTO, Filip Filipov, Chefe de B2B; Nik Gupta, Diretor de Hotéis; e Doug Campbell, Gerente de Marketing de Produto.

Além dos profissionais previamente citados, a rede online do Laboratório do futuro, LS:N Global, e os resultados da série anual de relatórios sobre o futuro das viagens, tecnologia, comida e acomodação do Laboratório do Futuro também foram usados para complementar a pesquisa.




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Material gráfico

As Viagens no Futuro : ano 2024 - Parte 1 PDF (2.5Mb)


As Viagens no Futuro : ano 2024 - Parte 2 PDF (2.5Mb)







As Viagens no Futuro : ano 2024 - Parte 3 PDF (2.5Mb)







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Tahiana Rodrigues

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