Parte 3: Destinos e hotéis

As novas e inspiradoras experiências de viagem que aguardam nosso viajante na década de 2020

A parte 3 do relatório Skyscanner Viagens no Futuro explora as novas e inspiradoras opções que TOM (Traveller of Milenium - o viajante do milênio) terá na escolha de destinos, experiências e hospedagens.

TOM hospedado em um hotel espacial

O quarto de hotel em 2024

Uma década é um período longo em termos de tecnologia hoteleira e até 2024, veremos que o quarto de hotel que nos é familiar será completamente adaptado para maior conforto e comodidade digital do TOM.

O diretor de Hotéis do Skyscanner Nik Gupta, descreve o estilo renovado e entusiasmante dos hotéis do futuro: “em 10 anos, os avanços na tecnologia digital significarão praticidade e rapidez em todo o processo de hospedagem, sem necessitar de mais ninguém desde a procura pelo hotel até o momento do check-out ”, afirma ele.

Com a finalidade de proporcionar experiências únicas aos viajantes, os hotéis disponibilizarão níveis incríveis de hiper-personalização para seus hóspedes por meio de seus sites.

TOM ajusta a temperatura do seu quarto de hotel com seu tablet

O software do hotel poderá conectar o hóspede a perfis de suas redes sociais e permitir que ele reserve um quarto, onde tudo, desde a temperatura do ar à pressão do chuveiro, sejam especificamente definidos de acordo com suas preferências.

“As preferências das redes sociais permitirão que o hotel vá além, proporcionando não apenas serviços internos e de quarto, mas também, disponibilizando aos hóspedes agendas de atividades, sugestões de restaurantes e peças de teatro totalmente alinhados aos seus interesses”, explica o executivo.

Em 2024, desde a primeira vez em que entrar no quarto, TOM terá a seu dispor, uma variedade de dispositivos de tecnologia intuitiva e integrada, que permitirá uma experiência altamente personalizada.

Os primeiros sinais desta tendência já podem ser vistos no Hotel The Peninsula, em Hong Kong, que usa tecnologia Intelity, que permite ao hóspede utilizar tablets para controlar a iluminação, cortinas, temperatura e televisão, além de efetuar reservas no spa e planejar passeios durante o dia.

O novo aplicativo Conrad Concierge do Conrad, hotel pertencente à cadeia de hotéis Hilton, também possibilita ao hóspede a super-personalização de sua estadia, como indicar seus produtos de banho favoritos ou pedir seu café da manhã por meio de um smartphone, enquanto se exercita em um parque próximo.

TOM define a tela da parede interativa do seu quarto de hotel

O futurologista Ian Pearson prevê que o quarto de hotel do futuro elevará as novas tecnologias a outro status. O viajante poderá encontrar almofadas com dispositivos eletrônicos integrados para massagear a cabeça e o pescoço para auxiliar o sono e funcionar também como um despertador pela manhã. Sistemas holográficos projetarão imagens em 3D de personal trainers, personagens de filmes ou até de amigos e familiares. Pearson também acredita que no futuro, hotéis oferecerão pijamas especiais com sensores para monitorar os níveis de açúcar e disponibilizar conselhos de dietas relevantes.

Os avanços nas áreas de saúde e bem-estar dos hóspedes já são visíveis no quarto StayWell no MGM Grand em Las Vegas, que possui iluminação criada para regular o relógio biológico dos hóspedes que sofrem de jet lag; água do chuveiro enriquecida com vitamina C; ar filtrado através de purificação avançada e infusões de aromaterapia como serviços opcionais.

Também já podemos observar designers e hoteliers criando quartos com ambientes mais interativos e propícios à mudanças, conforme o humor de seus hóspedes.

O quarto de hotel do futuro, desenvolvido pelo estúdio de design espanhol Serrano Brothers, apresenta uma habitação com paredes totalmente interativas e capazes de exibir filmes, imagens inspiradoras, fotos da família e até mensagens em vídeo enviadas por amigos.

Estas paredes também podem se tornar foscas para criar áreas privadas na hora do banho ou de trocar de roupa, mesmo nos menores espaços.

Enquanto isso, o aparecimento de telas de televisão ultra finas com díodos orgânicos emissores de luz (OLED) e paredes digitais de marcas como a News Digital Systems (NDS), também anunciam a chegada da parede do quarto de hotel interativa e tecnologicamente avançada, de acordo com a revista New Scientist.

Controladas por um simples aplicativo de celular, estas telas não necessitam de luz lateral e podem exibir diversas imagens em um mesmo painel, como um conjunto de azulejos.

TOM toma uma ducha com iluminação cromoterapêutica no banheiro de hotel do futuro

No entanto, as inovações planejadas não ficam por aí. Até o já elaborado banheiro do hotel será submetido a uma revolução de design, com contadores inteligentes criados para reduzir o desperdício de água; sensores de movimento e painéis laterais galvânicos nos chuveiros para permitir a mudança de temperatura, do fluxo e do padrão da água com a opção de dispensar vitamina D. As banheiras terão iluminação cromo-terapêutica – violeta para relaxar os músculos, amarelo para auxiliar a digestão e azul suave para estimular e dar energia.

Já em fase de desenvolvimento de protótipos para máquinas de lavar, a tecnologia dos chuveiros do hotel do futuro utilizará sons para, literalmente, agitar a sujeira dos nossos corpos, com luzes vermelhas e verdes, indicando se estamos limpos ou não.

“Ainda que prematura, a tecnologia já existe. O maior problema com o qual os cientistas se deparam é o efeito que os sons de alta frequência podem ter nos tímpanos. Eles podem estourá-los. Portanto, no momento só veremos este tipo de tecnologia ser utilizada para limpar as roupas de cama dos hotéis”, afirma Martin Raymond, cofundador do Laboratório do Futuro.

Sistemas Cyber Mirror desenvolvidos pela Cyberculture permitirão que espelhos grandes sejam transformados em telas touchscreen e que tudo armazenado na nuvem possa ser acessado enquanto o hópede escova seus dentes. Já em um futuro distante veremos impressoras no estilo 3D MakerBot serem utilizadas nos quartos de hotel para imprimir itens do kit toilet, como pasta de dente e sabonete.

Nave espacial pronta para decolagem

Para cima e para baixo

Até 2024, o espaço será a última fronteira para TOM, à medida que as viagens à órbita terrestre se tornam mais acessíveis para o mercado ultraluxuoso. Os resorts subaquáticos – que começam a aparecer nos dias de hoje– estarão entre os destinos mais buscados pelos viajantes da próxima década.

Viagens Espaciais

Atualmente, empresas privadas competem entre si para tornar a órbita terrestre um destino acessível para interessados com alto poder aquisitivo, mas não necessariamente bilionários. De fato, alguns projetos preveem várias oportunidades no espaço, incluindo a realização de voos comerciais para Marte.

Como afirma o futurista Daniel Burrus: “Olhando além do período de 10 anos, poderemos reservar viagens mais acessíveis para o espaço, onde poderemos ir e permanecer tempo suficiente para desfrutar e apreciar um ambiente excitante e extraterrestre.

Balão de hélio de alta tecnologia usado para viajar à órbita terrestre

“Contudo, viagens relativamente acessíveis na baixa órbita terrestre que permitam experimentar alguns minutos de gravidade zero – e o direito de vangloriar-se por isso – acontecerão muito em breve”.

A corrida ao espaço, inicialmente levará os viajantes mais destemidos aos limites mais afastados da atmosfera do nosso planeta. A partir de 2016, a World View Enterprises levará passageiros 30 km acima da superfície terrestre em uma cabine pressurizada anexada a um balão altamente tecnológico com 400 mil metros cúbicos de gás hélio. Uma passagem de 75 mil dólares é o preço estimado para ter uma perspectiva elevada e deslumbrante da curvatura do globo terrestre, em uma altitude elevadíssima.

As viagens ao espaço orbital serão o objeto de desejo dos viajantes mais aventureiros, e empresas comerciais já estão fazendo fila para transformar a proposta em algo mais acessível. A SpaceX anunciou em 2011 um grande avanço na tecnologia espacial reutilizável e, desde maio de 2014, tem se dedicado a desenvolver uma versão mais atualizada de uma nave espacial com o objetivo de completar sua ambição de estabelecer uma colônia em Marte.

Construções futurísticas na lua

Recentemente, a Agência Espacial Europeia e a empresa de arquitetura Foster + Partners anunciaram seus planos de construir uma colônia na Lua. Seria uma estrutura inflável transportada da Terra e coberta posteriormente com uma capa protetora feita por impressoras 3D, afirmam os pesquisadores.

“O turismo espacial irá, sem dúvidas, crescer e ficar mais acessível. No entanto, o que é acessível para o público geral é uma questão arbitrária, considerando que somos um planeta com 7 bilhões de pessoas”, comenta Gareth Williams, CEO do Skyscanner.

“Suspeito que veremos os planos de colonizar Marte e as ambições da Mars One ou do Elon Musk se tornarem realidade antes do turismo espacial se tornar acessível de fato para a maioria das pessoas”, completa o executivo.

Para quem se interessa pelo turismo espacial, mas não pelo preço cósmico, o Mobilona Space Hotel na ilha de Barcelona pode ser uma boa opção.

Com spas de gravidade zero e observatório espacial, esse hotel terrestre permitirá que hóspedes “experimentem” viagens espaciais, incluindo vistas em tamanho real de galáxias e a sensação de gravidade zero de um túnel de vento vertical.

Avião espacial de baixa órbita voando ao redor da Terra

No entanto, como ressalta Filip Filipov do Skyscanner, “mais animador do que a possibilidade de vivenciar o espacial, real ou simulado, será poder viajar em aviões espaciais de baixa órbita que reduzirão dramaticamente a duração de voos transatlânticos. ”

“Levar as viagens para o espaço será um marco importante para a humanidade em geral, principalmente se a Virgin Galactic e a SpaceX cumprirem suas missões.

No entanto, o que é ainda mais promissor é a transferência de tecnologias que a exploração espacial pode trazer para a aviação comercial. No caso da Virgin Galactic, cuja nave pode orbitar a Terra por 2,5 horas, um viajante normal poderá fazer o trajeto Londres - Sydney em 2,5 horas, se a mesma tecnologia de ida ao espaço puder ser aplicada com segurança à aviação comercial. Isso fará com que as viagens sejam mais fáceis e rápidas do que nunca, derrubando as fronteiras do tempo”, diz Filipov.

TOM sentando em uma cadeira em um quarto de hotel subaquático

Hotéis subaquáticos

As viagens ao fundo do mar serão outra opção interessante para TOM e com um preço muito mais acessível que as viagens espaciais.

Quartos de hotel subaquáticos já existem como nichos e destinos inovadores. As suítes Neptune e Poseidon no Atlantis Hotel na Palm Island, em Dubai, são anunciadas como refúgios românticos com paredes panorâmicas de vidro e vista para um mar colorido por cardumes de peixes. A pousada Jules Undersea foi construída em 1986 utilizando materiais e tecnologia de submarino e oferece aos hóspedes a oportunidade de experimentar a vida a cerca de 10 metros de profundidade.

O Hotel Water Discus em Dubai

Contudo, uma nova leva de inovadores da indústria hoteleira está expandindo o conceito, com o objetivo de construir hotéis inteiros embaixo d’água, sendo um forte indício de que férias subaquáticas serão uma proposta muito mais popular até 2024.

O Hotel Water Discus, em Dubai, é o primeiro da nova linha.

Com inauguração prevista para 2015, ele está sendo construído a 9 metros abaixo do nível do mar, com janelas tipo aquário em 21 suítes e instalações que permitirão ao hóspede que saia do hotel com equipamentos de mergulho. No projeto há ainda SPAs, jardins e piscinas. Além disso, o hotel poderá rodar embaixo d’água e subir à superfície em 15 minutos, em caso de emergências.

Gareth Williams, prevê que as viagens subaquáticas irão ultrapassar o turismo espacial na década de 2020: “Acredito que a exploração e o turismo subaquático em massa irão se desenvolver com mais rapidez que o turismo espacial em massa. Também acredito que tiraremos mais proveito deste tipo de turismo, pois existem mais opções lá embaixo do que no espaço”, afirma ele.

TOM em frente a uma casa

Próximo e pessoal
a busca por uma experiência local genuína e a personalização das viagens

Em 2024, as viagens colaborativas - que usam redes sociais e sites de avaliações na hora do planejamento - e as hospedagens que se assemelham às residências, serão a forma escolhida pelos viajantes para satisfazer seus desejos de explorar um destino através do olhar dos locais.

O intercâmbio de casas, iniciado por marcas como a Airbnb, nasceu como consequência da queda do mercado financeiro em 2008, quando viajantes com poucos recursos começaram a buscar experiências locais genuínas, em vez das opções luxuosas populares anteriores à queda do mercado financeiro.

Segundo estimativa da revista Forbes, a receita gerada diretamente para o bolso das pessoas envolvidas com serviços colaborativos nos EUA – incorporando serviços compartilhados como o Parking Panda, SnapGoods e On Liquid – atingiu 3,5 bilhões de dólares, até o ano de 2013.

TOM em um clube de jantar

Além das opções de hospedagem que permitem que viajantes vivam como nativos, há também redes colaborativas que permitem que o usuário tenha uma experiência social e gastronômica verdadeiramente local.

Atividades como jantares compartilhados - refeições pagas oferecidas por amantes da culinária em suas próprias casas – também têm crescido exponencialmente. O site “Find a Supper Club” (encontre um clube de jantar), que lista anfitriões na Europa e nos Estados Unidos, conta atualmente com 7.000 membros. O site “Eat With” presente em 18 cidades pelo mundo, já inclui anfitriões em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Na próxima década, estas mudanças no comportamento colaborativo entre viajantes terão enormes ramificações na indústria global de viagens.

“No futuro, acho que as viagens colaborativas irão reduzir significativamente o número de quartos de hotel reservados. Acredito que veremos de 5% a 10% das pessoas alugarem suas casas a viajantes e este número é, de fato, muito significativo. Para quem busca experiências de viagem autênticas e acessíveis no mundo desenvolvido, acho que não há nada parecido”, afirma B. Joseph Pine II, coautor de The Experience Economy: Work is Theatre and Every Business a Stage, e cofundador da Strategic Horizons.

Tablet mostrando o mapa do mundo

O futurista Daniel Burrus também destaca o impacto das redes sociais na indústria de viagens e a expectativa de viagens cada vez mais personalizadas. “As viagens sociais farão parte de uma seção dessa indústria que continuará se profissionalizando nos próximos 5 anos. As ferramentas disponíveis nas redes sociais serão utilizadas para auxiliar na colaboração entre os viajantes e as pessoas que estão fisicamente no destino escolhido”, afirma ele.

Filip Filipov do Skyscanner prevê que esta tendência irá continuar se expandindo na década de 2020.

“O crowdsourcing para viagens e serviços têm sucesso porque confiamos em nossos amigos e familiares. A voz do grupo tem credibilidade. É uma parte fantástica da forma como tomamos nossas decisões e descobrimos novas possibilidades de viagem”, diz ele.

TOM tirando foto de um rinoceronte

O primeiro e o último: regiões recentemente acessíveis, habitats e espécies em extinção

Com o crescimento das redes sociais, o direito de mostrar-se continuará sendo um fator de motivação importante na determinação do destino de viagem de 2024.

Como muitos viajantes dos dias de hoje, TOM pode gostar de ter experiências únicas e ser motivo de inveja entre seus amigos, familiares e colegas, e é previsto que ele terá duas formas opostas para fazer isso.

Uma viagem às Zonas Proibidas – países e regiões antes considerados inacessíveis devido a conflitos e problemas políticos – permitirá que o viajante se gabe de ter sido um dos primeiros, e viajar para visitar espécies ou habitats em vias de extinção valerá o prestígio de estar entre os últimos.

Devido à raridade dos lugares e à necessidade de atrair a atenção da comunidade global ao fenômeno da extinção, os ambientalistas consideram abrir essas áreas, que até agora tinham o acesso proibido aos turistas, para milionários e pessoas influentes, com a finalidade de usar sua influência fiscal e social como um alerta ao problema.

Filip Filipov do Skyscanner prevê que as viagens às Zonas Proibidas serão um grande atrativo na década de 2020. “Os viajantes dos países desenvolvidos e dos países emergentes estarão em busca de uma novidade excitante – uma oportunidade para explorar países na África, na Ásia e na América Latina, onde seus amigos nunca tenham estado”, afirma ele.

A explosão da indústria de viagens na China será um dos fatores que impulsionará o desejo de explorar Zonas Proibidas remotas e desconhecidas.

“Haverá uma invasão de turistas chineses em destinos clássicos como Paris, Roma e Nova Iorque na década de 2020, provocando o afastamento de muitas pessoas destes locais clássicos, que passarão a utilizar seus parceiros digitais (e-agents) para procurar pérolas escondidas e ainda desconhecidas para o mercado de massa”, afirma Daniel Burrus.

O futurologista de viagens, Dr. Ian Yeoman, concorda. “Na década de 2020, países como o Afeganistão, Coreia do Norte e Irã se tornarão muito atraentes, pois os viajantes vão querer ser os primeiros a ir a esses locais inéditos”, diz ele.

“Na África, Botswana é um país a ser levado em conta. Possui uma economia de sucesso, é mais seguro que a África do Sul e possui ótimos parques nacionais. Angola também tem registrado grandes investimentos vindos da China e pode se tornar fonte de interesse. O Líbano será o novo Dubai se a situação política continuar melhorando. E o Butão, destino para viagens de luxo em nível global”, completa Yeoman.

Ser a primeira pessoa a entrar em uma Zona Proibida pode ter uma grande importância social para o viajante mais audacioso em 2024. Porém, o mesmo acontecerá para a última pessoa a ver um rinoceronte, um tigre ou um orangotango em seu habitat natural, se nada for feito para evitar as possíveis extinções de espécies, ou ainda para quem visitar uma tribo “perdida”, antes que a mesma seja assimilada pela cultura global.

Como afirma Raynald Harvey Lemelin, coeditor do livro Last Chance Tourism: Adapting Tourism Opportunities in a Changing World: “No passado, a motivação para ‘ser o primeiro’ ajudou na afluência aos destinos exóticos. Contudo, em um mundo em constante mudança, a afluência para ser um dos ‘últimos’ é o novo fenômeno de viagem”.

Um dos componentes desta tendência de viagens será a ‘corrida da extinção’, já que os viajantes, principalmente os provenientes de locais mais urbanizados apressam-se para observar espécies que podem não ser encontradas no mundo selvagem em algum tempo.

“A maioria dos nossos visitantes tem urgência em ver os ursos polares antes que os efeitos do aquecimento global os afetem mais profundamente”, afirma Rick Guthke, gerente geral da operadora de turismo especializada Natural Habitat Adventures. Milhares de viajantes lotam o norte do Canadá para ver os ursos antes que as calotas de gelo se derretam e eles não tenham mais como chegar ao tradicional local de pesca de focas.

Segundo cientistas, outras espécies ameaçadas de extinção nos próximos 10 anos incluem as tartarugas de couro (Oceano Índico), os saguis-de-tufo-branco (Amazônia), o rinoceronte negro (África Central e Oriental), o crocodilo chinês (rio Yangtze), o Coleufra afra (Seicheles), a gazela-dama (Chade), o camelo-bactriano (deserto de Gobi), o wombat de nariz peludo do Norte (Austrália), o lince ibérico (Espanha) e o orangotango de Sumatra (Bornéu e Sumatra).

No entanto, como reportado pelo Daily Telegraph, a maioria dos ambientalistas concorda que a renda do turismo exerce um papel fundamental na luta por sobrevivência das espécies ameaçadas de extinção.

“O ponto é: se abandonarmos o turismo, consequentemente abandonamos a preservação. Quando me perguntam ‘Como eu posso ajudar?’ nós respondemos: ‘Faça um safári’. A exploração do turismo com safáris não é uma escolha, é uma necessidade. É o que paga as contas e assegura que os parques e as espécies abrigadas fiquem protegidos. Sem a ajuda financeira do turismo, seria quase o mesmo que deixar os animais selvagens remanescentes à mercê dos caçadores”, diz Jonathan Scott, especialista em animais selvagens.

Essa perspectiva incentivará TOM a visitar iniciativas futuras de ecoturismo, permitindo que ele ajude espécies em extinção e ao mesmo tempo realize seu desejo de visitar diferentes habitats e conheça espécies que ainda existem.

“O ego-turismo é uma forma de ecoturismo. Antigamente, as pessoas procuravam novos locais para serem os primeiros a chegar, mas agora querem ver um local antes que este desapareça”, afirma Rosaleen Duffy, autora de Nature Crime: How We’re Getting Conservation Wrong.

Conclusão

Até 2024, não só o quarto de hotel onde TOM ficará hospedado terá mudado radicalmente pelos avanços tecnológicos, mas também o destino onde o hotel estará situado terá se transformado com novos resorts e formatos regionais.

As suítes de hotel super-personalizadas terão paredes interativas touchscreen que podem ser utilizadas como monitores de vídeo, centros de comunicação ou até telas foscas e privadas. Chuveiros com água enriquecida de vitamina C, porta equipada com reconhecimento de retina, travesseiros eletrônicos que massageiam a cabeça enquanto o hóspede dorme e os “personal trainers” holográficos também farão parte do pacote esperado. Os destinos mais populares da próxima década incluirão viagens – e até estadias – à órbita terrestre, férias em hotéis subaquáticos e viagens onde o visitante poderá ser o primeiro a visitar países da Ásia, África e Oriente Médio, outrora conturbados – ou ser o último a observar uma espécie ou habitat ameaçado por alterações climáticas ou pela invasão humana.

Ficar mais próximo e ter contatos mais pessoais com os moradores locais – e a localidade – ganhará um caráter ainda mais colaborativo em meados da década de 2020, à medida que milhões de pessoas alugarão suas casas para turistas, e levarão hotéis e resorts a adotarem a ideia e a transformar seus quartos em ambientes mais acolhedores e parecidos com casas reais.

Conclusão
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Uma perspectiva das viagens na década de 2020

Para compreender as viagens dos nossos viajantes na década de 2020, é necessário que tenhamos em consideração as forças tecnológicas, econômicas e sociais que irão redefinir a indústria global de viagens nos próximos 10 anos.

Talvez o fator mais significativo com que nos deparamos seja o crescimento em direção à Maturidade Digital. Em 2014, o ciberespaço e suas tecnologias associadas deixaram de ser encaradas como novidade ou surpresa e estão se tornando o cenário para tudo em nossas vidas.

Atualmente na China, 464 milhões de pessoas, ou 34,5% da população chinesa, tem acesso à Internet através de smartphones ou dispositivos móveis sem fio, de acordo com o China Internet Network Information Center. A Ásia irá registrar o maior crescimento da classe média – prevê-se que triplique para 1,7 bilhões até 2020, segundo a Brookings Institution – cujo poder de compra estimulará novos comportamentos e atitudes globais em relação à tecnologia digital.

Até 2024, a conectividade à Internet e os dispositivos móveis serão tão triviais como a iluminação elétrica e o ar condicionado central são hoje em dia. A tecnologia estará perfeitamente integrada ao cotidiano dos viajantes, tanto nas economias desenvolvidas como nas economias em desenvolvimento. Segundo a Cisco Systems, serão 50 bilhões de dispositivos conectados à Internet até 2020.

Simultaneamente, haverá uma explosão nas viagens provenientes dos Mercados Prósperos da Ásia, América do Sul e África – as novas economias emergentes de cada região – à medida que seu poder de compra cresce significativamente.

Até 2030, a Ásia, a economia regional com o crescimento mais rápido do mundo, duplicará seu PIB para 67 trilhões de dólares, ultrapassando as previsões do PIB para a Europa e para as Américas, de acordo com o Boston Consulting Group.

Os milhões de viajantes dos Mercados Prósperos serão introduzidos em uma era de Mobilidade Global, com a indústria global de viagens e a procura por oportunidades e experiências de viagem expandindo-se rapidamente na próxima década.

O World Travel & Tourism Council previu um crescimento de 3,2% nas viagens globais em 2013, ultrapassando facilmente o crescimento previsto de 2,4% do PIB mundial. A disparidade foi ainda mais acentuada nas economias emergentes em 2012, com a China e a África do Sul registrando um crescimento anual em viagens de 7% e a Indonésia um aumento de 6%.

O entusiasmo financeiro dos Mercados Prósperos será um antídoto global necessário para a contínua turbulência econômica que definirá a atitude dos viajantes nos Mercados Maduros – as economias na Europa e nos EUA que tiveram seu crescimento reduzido nos últimos cinco anos devido às dívidas pós-crise e à austeridade.

De acordo com o relatório Global Travel Trends de 2012/2013 do IPK International: "Um número cada vez maior destes países não tem capacidade de pagar suas dívidas; a crise da dívida não chegou ao fim e os impactos negativos resultam no comportamento das viagens – a denominada 'mobilidade descendente' – na Europa Ocidental, nos EUA e no Japão".

O fator decisivo para a definição da indústria de viagens global da década de 2020 é o fator social. Uma Bomba-relógio demográfica está à espera, enquanto a população mundial envelhece a um ritmo sem precedentes.

No último século foi registrado o declínio mais rápido da taxa de mortalidade da história da humanidade, com a expectativa de vida mundial média subindo de 47 anos entre 1950 e 1955 para 69 entre 2005 e 2010, de acordo com a ONU.

Em 1950, havia duas crianças com menos de 15 anos para cada adulto com mais de 60. Até 2050, o número de adultos com idade superior a 60 anos será o dobro do número de crianças.

Desta forma, em 2024, nosso viajante fará sua viagem em um mundo onde a procura dos Mercados Prósperos por novas experiências será contraposta pela preocupação financeira dos Mercados Maduros da Europa e dos EUA, ainda em recuperação.

O viajante não se surpreenderá com o fato de que cada aspecto da viagem, começando pela descoberta e reserva, passando pelo período de trânsito e voo, irá incorporar a mais recente tecnologia digital da mesma forma que ele o faz: perfeita e intuitivamente.




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Metodologia de pesquisa

Este relatório do Skyscanner é o resultado do trabalho de uma influente equipe de 56 editores, investigadores e especialistas em tendências do futuro nas mais importantes cidades internacionais, com a finalidade de criar uma representação detalhada dos próximos 10 anos no que diz respeito a tecnologias inovadoras e a novos e entusiasmantes destinos que definirão a indústria de viagens global na década de 2020.

Os especialistas

Exploramos as tecnologias de viagens e os comportamentos futuros combinando o conhecimento de um painel de especialistas mundialmente reconhecidos, incluindo o Futurista Daniel Burrus, autor de Technotrends: Como usar a tecnologia para ficar à frente dos concorrentes, e do Futurologista de Viagens, Dr Ian Yeoman.

Também nos apoiamos em ensinamentos prévios fornecidos pelo estrategista digital Daljit Singh, Chefe de Previsões da Microsoft no Reino Unido; Steve Vranakis, Diretor Criativo Executivo do Google; Kevin Warwick, Professor de Cibernética da Universidade de Reading; e Martin Raymond, co-fundador do Laboratório do Futuro e autor de CreATE, as pessoas do amanhã e do Guia de previsão de tendências.

Os seguintes especialistas do Skyscanner participaram com suas perspectivas e conhecimento especializado: Margaret Rice-Jones, Presidente; Gareth Williams, CEO e co-fundador, Alistair Hann, CTO, Filip Filipov, Chefe de B2B; Nik Gupta, Diretor de Hotéis; e Doug Campbell, Gerente de Marketing de Produto.

Além dos profissionais previamente citados, a rede online do Laboratório do futuro, LS:N Global, e os resultados da série anual de relatórios sobre o futuro das viagens, tecnologia, comida e acomodação do Laboratório do Futuro também foram usados para complementar a pesquisa.




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Material gráfico

As Viagens no Futuro : ano 2024 - Parte 1 PDF (2.5Mb)


As Viagens no Futuro : ano 2024 - Parte 2 PDF (2.5Mb)







As Viagens no Futuro : ano 2024 - Parte 3 PDF (2.5Mb)







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Fale conosco

Para informações adicionais sobre este relatório, entre em contato com:

Tahiana Rodrigues

tahiana.rodrigues@skyscanner.com.br

(+1) 305-967-6311

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